sexta-feira, 18 de julho de 2008

Euforia

O que é felicidade?

Uma tarde ensolarada, um pôr-do-sol? Uma pessoa, uma família?
O que nos torna realmente felizes?
Os sonhos? A busca por eles.... Será?

E se estiver chovendo. E se você não conseguir ver o pôr-do-sol? E se a pessoa te deixar, e se sua família não for tão acolhedora como você supunha?
E se seus sonhos se tornarem pesadelos... não se pode viver de sonhos.

A felicidade está em você. Você se basta. Você tem que estar feliz consigo mesmo, estar em paz com a sua consciência. Mas não é necessário viver sozinho!
Apenas não depositar a sua felicidade em outros, e sim em você.





Amparo


Estrelas que estão lá no céu a olhar-me, eu lhes suplico, por favor não olhem mais assim para mim...

Eu sei que agi mal e que vocês querem me ajudar.

Me dêem um pouco dessa luz, dessa humildade que possuem...

Ao andar, pelas ruas desertas, escuras, desconfiadas, eu pensei nele e vocês me acompanharam e viram como eu estava. Andando, passo a passo, o vento me acariciando delicadamente e as lágrimas insistentes rolavam pelo meu rosto, me queimando.

Foi quando paro e decido sentar em algum lugar, pois minhas pernas não me obedeciam mais. Me sento, abaixo a cabeça e sumo naquele jardim escuro e abandonado. Olho para o céu e as vejo chorando comigo, fico feliz por ter umas confidentes tão fiéis como vocês e me esforço para me renovar com um pouco da energia que vocês me davam.

Levanto e percebo que a noite já não era a mesma, eu estava triste, mas tudo ao meu redor estava concentrado para me fazer feliz ou ao menos chegar perto...

Eu olho para o céu, e as estrelas me olhavam sorrindo, olho ao meu redor e vejo as árvores dançando ao som do vento, que por sinal não parava de me acariciar com uma ternura semelhante a de uma mãe.

Continuo a andar, sigo o meu caminho e ouço alguém me chamar, olho ao lado e vejo uma coruja que me olha e diz para eu ficar bem... Eu ando, ando e choro...

Vejo as pessoas em suas casas, as crianças brincando, as luzes dos carros me iluminando e as estrelas me seguindo.

Quando retorno à casa, percebo que os ares já eram outros, a noite já estava mais calma, o céu já não me olhava tão severo como antes e a noite já seguia seu rumo.

Mas eu ainda estou sozinha!

Então saio e volto para o conforto de meus amigos, agora as estrelas já me olham serenas e sabiamente me dizem que tudo vai acabar bem.

O perfumar que se espalha pelo ar é das flores que eu tanto gosto e que para me confortar, espalham seu perfume pelo ares...

Tudo é lindo, calmo, mas seria perfeito se ele estivesse aqui... Eu não sabia dos meus sentimentos até correr o risco de perder a fonte deles, agora eu já sei que gosto dele muito mais do que pensava e assim como vocês, amigas estrelas precisam da noite, eu preciso dele...




terça-feira, 15 de julho de 2008

Estás a Ver?

"Estás a ver o que eu estou a ver? 
Estás a ver? Estás a perceber?
Estás a ouvir o que eu estou a dizer?
Estás a ouvir? Estás a perceber?

Eu tenho visto tanta coisa nesse meu caminho
– nessa nossa trilha,
que eu não ando sozinho –
tenho visto tanta coisa, tanta cena...
mais impactante do que qualquer filme de cinema.

E se milhares de filmes não traduzem, nem reproduzem
a amplitude do que eu tenho visto,
não vou mentir pra mim mesmo, acreditando que uma música
é capaz de expressar tudo isso.

Não vou mentir pra mim mesmo, acreditando,
mas eu preciso acreditar na comunicação...


Não há melhor antídoto pra solidão.

E é por isso que eu não fico satisfeito em sentir
o que eu sinto, se o que eu sinto fica só no meu peito.

Por mais que eu seja egoísta, aprendi a dividir
as emoções e os seus efeitos.

Sei que o mundo é um novelo, uma só corrente.
Posso vê-lo por seus belos elos transparentes.

Mudam cores e valores, mas tá tudo junto
e por mais que eu saiba, eu ainda pergunto:


Estás a ver a vida como ela é?
Estás a ver a vida como tem que ser?
Estás a ver? A vida como a gente quer?
Estás a ver? A vida pra gente viver?

"...Já que a vida é feita de pequenos nadas..."

Estás a ver a linha do horizonte?
A levitar, a evitar que o céu se desmonte?

Foi seguindo essa linha que notei que o mar...
na verdade é uma ponte.

Atravessei-a e fui a outros litorais
e no começo eu reparei nas diferenças,
mas com o tempo eu percebi, e cada vez percebo mais

como as vidas são iguais, muito mais do que se pensa.
Mudam as caras, mas todas podem ter as mesmas expressões.
Mudam as línguas, mas todas têm

suas palavras carinhosas e os seus calões.
As orações e os deuses também variam,
mas o alívio que eles trazem vem do mesmo lugar.

Mudam os olhos e tudo o que eles olham,
mas quando molham, todos olham com o mesmo olhar.


Seja onde for, uma lágrima de dor tem apenas um sabor
e uma única aparência.

A palavra saudade só existe em português,
mas nunca faltam nomes se o assunto é ausência.


Solidão apavora, mas a nova amizade encoraja e
é por isso que a gente viaja,
procurando um reencontro, uma descoberta

que compense a nossa mais recente despedida.

Nosso peito muitas vezes aperta, nossa rota é incerta,
mas o que não é incerto na vida?



A vida é feita de pequenos nadas
que a gente saboreia mas não dá valor:

Um pensamento
Uma palavra
Uma risada
Uma noite enluarada ou um sol a se pôr.
Um bom dia, um boa tarde, um por favor
– simpatia é quase amor –

Uma luz acendendo
Uma barriga crescendo
Uma criança nascendo. Obrigado Senhor!

Seja lá quem for o Senhor, seja lá quem for a Senhora.
A quem quiser me ouvir,
e a mim mesmo preciso dizer tudo o que eu estou dizendo agora.

Preciso acreditar na comunicação...
não há melhor antídoto pra solidão!


E é por isso que eu não fico satisfeito
em sentir o que eu sinto,
se o que eu sinto fica só no meu peito.

Por mais que eu seja egoísta
aprendi a dividir minhas derrotas e minhas conquistas.

Nada disso me pertence.
É tudo temporário no tapete voador do calendário.


Já que temos forças pra somar e dividir,
enquanto estivermos aqui, se me ouvires cantando,
canta comigo,
se me vires chorando, sorri."


Gabriel o Pensador