segunda-feira, 5 de maio de 2008

Ócio = Devaneios

Normalmente quem me vê por aí, caminhando com um semblante de paisagem olhando o nada, mais parecendo uma borboleta tonta procurando cores sem nenhuma pretensão, não imagina que por trás de uma carinha de menina inofensiva tem uma mulher que sabe que às vezes é necessário manter uma imagem de bobinha para ver até onde as pessoas vão quando pensam que não sofrem nenhuma ameaça. É assim que vemos a pretensão das pessoas.
A minha racionalidade excessiva ou aquilo que procuro demonstrar como racionalidade excessiva, escondendo o jogo de uma manteiga derretida, muitas vezes me fez crer que sou um homem vestido de mulher brincando por aí. Como a Martha Medeiros diz: "Penso como um homem, mas sinto como mulher."
Aliás, tem mais coisas que a Martha Medeiros diz que se enquadra a mim:
"Não me considero vítima de nada. Sou autoritária, teimosa e orgulhosa. Vivo cercada de pessoas, mas nunca somos nós mesmos na presença de testemunhas. Às vezes me sinto uma mulher mascarada, como se desempenhasse um papel em sociedade só para me sentir integrada, fazendo parte do mundo. Hospedo em mim uma natureza contestadora e aonde quer que eu vá ela está comigo, só que sou bem-educada e não compro briga à toa.
Tenho um cérebro masculino, mas isso não interfere na minha sexualidade. Afino a voz, uso cinta-liga, faço streap-tease. Basta me segurar pela nuca e eu me derreto, viro pão quente com manteiga.
Sou estrategista, batalhadora, porém traída pela comoção. Num piscar de olhos fico terna, delicada. São muitas mulheres numa só, e alguns homens também."